Magic Quadrant de DXP (2025): o que o relatório sinaliza — e por que o Liferay merece entrar no seu radar

As experiências digitais já não são apenas "um site". Clientes e parceiros transitam entre web, mobile, portais autenticados, atendimento e autosserviço, esperando consistência, personalização e agilidade. É nesse cenário que as Digital Experience Platforms (DXPs) se tornaram peça central do stack de experiência digital. O Magic Quadrant for Digital Experience Platforms (Gartner, jan/2025) reforça três movimentos claros no mercado: cloud (SaaS/PaaS), arquitetura composable e mais IA aplicada. E, dentro desse contexto, o Liferay aparece como uma opção especialmente interessante para organizações que precisam equilibrar portais autenticados, integração e governança, sem abrir mão da evolução para o composable. A seguir, os principais pontos do relatório com foco no que ele indica sobre o Liferay e como isso se traduz em decisões práticas.

Rótulo

O que é uma DXP (e por que isso importa para portais e jornadas)

O Gartner define DXP como um conjunto integrado de tecnologias para compor, gerenciar, entregar e otimizar experiências digitais personalizadas ao longo da jornada do cliente, em múltiplos canais.

Na prática, o valor de uma DXP aparece quando você precisa:

  • atender diferentes públicos (cliente, parceiro, fornecedor, colaborador);
  • sustentar experiências autenticadas (login, perfis, permissões, self-service);
  • integrar conteúdo e serviços de vários sistemas (CRM, ERP, ticketing, catálogo, etc.);
  • manter governança e segurança, especialmente em ambientes regulados.

Esse é um tipo de cenário onde o Liferay tradicionalmente tem tração, porque nasceu forte em portal e experiências logadas e evoluiu para incorporar CMS, personalização, analytics e low-code.


As previsões do Gartner: por que composable e IA viram "obrigatórios"

O relatório traz duas premissas que ajudam a orientar qualquer roadmap digital:

  • Até 2026, 70% das organizações serão pressionadas a adotar DXP composable (modular), em vez de suites monolíticas.
  • Até 2027, 40% das organizações falharão em entregar CX digital relevante por falta de coordenação inteligente de conteúdo com IA e estratégia de content operations.

Em outras palavras: a arquitetura está mudando (mais modular) e a operação precisa amadurecer (conteúdo + IA + governança). O Liferay, no recorte do Gartner, aparece como um vendor que tenta endereçar os dois lados: composability e IA integrada ao dia a dia.


O que uma DXP moderna precisa ter — e onde o Liferay se encaixa

O Gartner lista capacidades mandatórias como: multiexperience (headless/hybrid), composable e API-first, cloud (SaaS/PaaS), integração/orquestração, CMS e account services.

O Liferay se destaca principalmente em três frentes (segundo os pontos avaliados no relatório):

1) Integração com IA (GenAI + IA aplicada) "empacotada" em wizards

O Gartner observa que o Liferay "embrulha" integrações com aplicações de GenAI e IA aplicada em assistentes (wizards) para conteúdo e layout, além de oferecer:

  • conjunto amplo de APIs headless;
  • batch processing para facilitar conectividade e uso de plataformas de IA.

Por que isso importa? Porque muitas empresas travam na fase "temos IA, mas não vira produtividade". Assistentes bem posicionados no fluxo de trabalho (conteúdo e experiência) costumam acelerar adoção por times de negócio.

2) Low-code para reduzir dependência de desenvolvimento

Outro destaque é o low-code, incluindo um "low-code API builder" para controlar e configurar respostas de API.

Isso é relevante para DXPs composable: quanto mais integrações e serviços você conecta, mais "cola" você precisa. Se parte dessa cola pode ser feita com low-code, você reduz backlog de TI e ganha velocidade de entrega (principalmente em iniciativas de portal, autosserviço e jornadas de parceiros).

3) Composability pragmática (PBCs + extensões)

O Gartner aponta que o Liferay vem adotando arquitetura composable com:

  • PBCs nativos;
  • e uma arquitetura de extensões (Liferay Extensions) para empurrar funcionalidades para fora do core, equilibrando conveniência do SaaS e espaço para customizações/integrações.

Esse ponto é importante para quem está saindo de um cenário monolítico: nem toda organização consegue (ou deve) virar "best-of-breed" de um dia para o outro. Um caminho gradual costuma ser mais seguro.

 

 


Pontos de atenção do Liferay (cautelas do Gartner)

O relatório também aponta três cuidados práticos na avaliação:

1) Estratégia de cloud e migração lenta do on-premises

Embora o SaaS exista, o Gartner nota que muitos clientes ainda rodam Liferay on-prem, e a transição tende a ser gradual. Isso pode impactar:

  • ritmo de adoção do SaaS;
  • e a velocidade de investimento/inovação especificamente na versão SaaS.

O que perguntar em RFP/demos: roadmap de paridade de recursos, SLAs, limites de customização no SaaS e casos reais em produção.

2) Go-to-market historicamente voltado para TI

O Gartner aponta foco histórico no comprador de TI, o que pode influenciar prioridades de produto (mais eficiência técnica do que "delight" para usuário de marketing).

O que validar: experiência do usuário para times não técnicos (conteúdo, páginas, workflows), governança editorial e autonomia do time de negócio.

3) Documentação e melhores práticas

O relatório cita feedback de que a documentação pode ser difícil e carecer de melhores práticas para devs.

O que mitiga: avaliar trilhas de treinamento, comunidade, parceiros/implementadores e exigir blueprint arquitetural na proposta.


Para quais cenários o Liferay tende a fazer mais sentido

Com base no que o Gartner descreve (e no posicionamento histórico do produto), o Liferay costuma ser especialmente forte quando a prioridade é:

  • Portais autenticados e experiências "logged-in" (B2B, parceiros, cliente, cidadão);
  • Integração com múltiplos sistemas e necessidade de orquestração;
  • Governança, segurança e permissões (múltiplos perfis e papéis);
  • Estratégia de modernização que pede composability sem ruptura total;
  • Times que querem combinar low-code + APIs para acelerar entregas.

Um jeito prático de decidir: 7 perguntas para avaliar o Liferay (e qualquer DXP)

Se você está comparando fornecedores, use perguntas orientadas a "capacidade real":

  1. Quais experiências são autenticadas e quais regras de permissão são necessárias?
  2. O produto entrega bem portal + CMS + integrações sem exigir "colagens" excessivas?
  3. Qual é o modelo de extensão/customização no SaaS? O que fica no core vs fora?
  4. Como é a experiência do usuário não técnico (editor, workflow, publicação, reutilização)?
  5. Como a IA aparece no fluxo de trabalho (conteúdo, layout, QA, SEO)? Dá governança?
  6. Quais integrações são nativas e quais exigem esforço/projeto?
  7. Que evidências o vendor traz (POC, benchmarks, cases) para performance, escala e segurança?

Conclusão

O Magic Quadrant de DXP 2025 mostra um mercado onde composable + cloud + IA deixam de ser diferenciais e viram requisitos. Dentro desse cenário, o Liferay se posiciona como uma alternativa interessante para organizações que precisam unir experiências autenticadas, integração, governança e um caminho pragmático rumo ao composable — com reforço em IA integrada e low-code.

Se o seu desafio envolve portais, autosserviço e ecossistemas (cliente/parceiro/cidadão), vale colocar o Liferay na shortlist — mas com atenção especial ao plano de cloud/SaaS, à usabilidade para times de negócio e ao suporte de documentação/implementação.

 

Leia o relatório completo em: https://www.gartner.com/doc/reprints?id=1-2K4050J5&ct=250130&st=sb

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